Por que metade das empreendedoras está em serviços — e como isso impacta o faturamento

Setores diferentes enfrentam desafios diferentes. Entender isso pode mudar completamente sua estratégia de crescimento. Quando analiso o perfil das empreendedoras que atendo, percebo um padrão claro: a maioria esmagadora oferece serviços. E não é coincidência. Segundo dados do Sebrae, 45,1% das mulheres empreendedoras estão no setor de serviços. Outros 21,5% estão no comércio. Juntos, esses […]

Verusca Carósio
Verusca Carósio

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Setores diferentes enfrentam desafios diferentes. Entender isso pode mudar completamente sua estratégia de crescimento.

Quando analiso o perfil das empreendedoras que atendo, percebo um padrão claro: a maioria esmagadora oferece serviços.

E não é coincidência. Segundo dados do Sebrae, 45,1% das mulheres empreendedoras estão no setor de serviços. Outros 21,5% estão no comércio. Juntos, esses dois setores representam 66,6% do empreendedorismo feminino no Brasil.

Mas por que essa concentração em serviços?

A resposta é prática: serviços exigem menos capital inicial. Você não precisa de estoque, não precisa de ponto comercial, não precisa investir em produto físico antes de vender. É mais acessível pra quem está começando com pouco recurso.

Consultoria, mentoria, design, arquitetura, contabilidade, terapia, organização de eventos, marketing, fotografia — a lista é imensa. E todas têm algo em comum: você vende seu tempo e sua expertise.

O problema? Vender tempo tem teto.

E é aqui que mora o principal desafio do setor de serviços: escalabilidade.

Quando você vende produto físico, pode vender 10, 50, 100 unidades por dia. O limite é logística e demanda, não suas horas de trabalho.

Mas quando você vende consultoria, atendimento, mentoria, design personalizado — você só pode atender um número limitado de clientes por mês. Porque cada cliente exige X horas do seu tempo.

E se você já trabalha 30 horas por semana (porque tem jornada dupla, porque busca filho na escola, porque cuida da casa), o teto chega rápido.

Já conversei com dezenas de empreendedoras presas nessa armadilha: trabalhando no limite da capacidade, mas sem conseguir aumentar o faturamento.

Porque não têm mais tempo disponível.

A solução não é trabalhar mais. A solução é repensar o modelo.

E aqui entram três caminhos possíveis:

1. Aumentar o ticket médio.

Se você não pode atender mais clientes, cada cliente precisa valer mais. Isso significa: precificar melhor, oferecer pacotes de maior valor, posicionar-se como especialista premium.

2. Criar produtos de escala.

Cursos gravados, mentorias em grupo, materiais digitais, assinaturas. Formas de entregar valor pra mais pessoas ao mesmo tempo, sem depender 100% do seu tempo.

3. Terceirizar parte da execução.

Contratar freelancers, montar equipe enxuta, delegar o operacional. Assim você se foca no estratégico e no comercial (que é o que gera receita).

Empreendedoras no comércio enfrentam desafios diferentes: precisam de capital pra estoque, lidam com logística, têm custos fixos mais altos. Mas têm mais facilidade de escalar — porque produto não depende de hora trabalhada.

Já quem está em serviços precisa ser muito mais estratégica. Porque o recurso mais escasso não é dinheiro. É tempo.

E se você não entende isso, vai continuar trabalhando cada vez mais e faturando a mesma coisa.

Eu não estou dizendo que serviços é ruim. Muito pelo contrário. É um setor poderoso, lucrativo e que permite autonomia total.

Mas exige estratégia diferente.

Exige clareza sobre quanto tempo você tem disponível, quanto cada hora precisa valer, e como você pode entregar mais valor sem precisar trabalhar mais horas.

Se você está no setor de serviços e sente que chegou no limite de capacidade, a pergunta não é “como trabalhar mais”. A pergunta é: “como trabalhar diferente?”

E essa resposta muda tudo.

Verusca Carósio é orientadora de negócios com mais de 22 anos de experiência em comunicação e marketing, especializada em apoiar pequenas empreendedoras e profissionais liberais.

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