Em dois anos, a empresa criou uma infraestrutura de I.A que permitiu dobrar faturamento, lançar e validar produtos rapidamente e se tornar global.
Por Juliana Munaro
Se você ainda acha que Inteligência Artificial é o ChatGPT, ou similares, e ainda faz muito pouco na prática, vai se surpreender agora. Há pouco tempo, parecia ficção científica imaginar uma empresa operando quase inteiramente com inteligência artificial. Hoje, isso é realidade e fala português.
A Fhinck, uma startup fundada há dez anos em São Paulo, adotou a mentalidade A.I Fisrt no início de 2023, antes do hype, logo depois da OpenAI lançar seus primeiros modelos. A Inteligência Artificial ainda não estava tão presente no nosso dia a dia e a Fhinck já havia decidido que a principal tarefa de cada colaborador passou a ser ensinar a I.A. a fazer suas atividades.
Antes de entrar nos detalhes desse processo, vou contar um pouco sobre a Fhinck. A empresa nasceu com a missão de tornar o trabalho visível, ou seja, ajudar empresas a melhorar processos. A startup brasileira começou como uma ferramenta de Task mining, um software capaz de mapear, de forma automática e sem invadir a privacidade dos usuários, como o trabalho é feito dentro dos computadores corporativos.
Ao longo dos anos, mais do que especialistas em produtividade, os fundadores da Fhinck se tornaram verdadeiros especialistas em gestão. Prova disso é o que realizaram na empresa ao longo dos últimos 3 anos.
Como e quando a I.A. entrou em cena
Em novembro de 2022, o lançamento do ChatGPT acendeu um alerta e uma oportunidade.
Depois de estudar o assunto, criar seu primeiro agente de I.A, Paulo Castello, CEO da Fhinck, entendeu que, a partir daquele momento, tudo seria diferente. Mostrou o que fez para Michel Zarzour Filho, CTO da empresa e, juntos com outros sócios, decidiram que a Inteligência Artificial seria uma nova força de trabalho e fariam dela o centro da empresa. Isso significou reconstruir processos, cultura e até o conceito de equipe.
A transição começou em 2023, com 50 colaboradores. Ao longo do processo, quem não se adaptou foi deixando a empresa, que hoje opera com seis pessoas e inúmeros agentes virtuais. Cada área, do atendimento ao desenvolvimento, passou a ser composta por inteligências artificiais especializadas, orquestradas por humanos.
O primeiro teste foi no atendimento ao cliente. Hoje, mais 95% dos chamados são resolvidos por I.A, sem intervenção humana. O restante é realizado pelo responsável, que aproveita cada caso para treinar o sistema e garantir que, da próxima vez, a I.A. dê conta sozinha.
A Fhinck acelerou entregas e abriu espaço para um novo tipo de produtividade, não mais medida apenas em horas, mas em inteligência.
O que a Fhinck está construindo não é apenas uma nova forma de usar tecnologia, é uma nova maneira de organizar o trabalho. Uma nova maneira de fazer gestão, completamente diferente do que aprendemos nos cursos de negócios.
Ouso dizer que o aspecto mais fascinante da história é a parte técnica da Inteligência Artificial ou o passo a passo de como construir um agente de I.A, mas toda mudança de mentalidade que a aplicação dessa tecnologia exige. Do CEO ao estagiário. Esse tem sido um dos maiores aprendizados das inúmeras conversas que tenho tido com Paulo, Michel e outras pessoas da equipe da Fhinck.
E agora, todo esse papo está registrado. A partir desse mês Paulo, CEO da Fhinck, equipe e convidados irão compartilhar todo aprendizado e conhecimento sobre I.A, gestão do futuro e produtividade no Fhinck Ahead, um talk da empresa que será também um quadro especial aqui no Gente que Empreende.
O primeiro episódio está no ar. Falamos sobre o processo da empresa para adotar I.A como infraestrutura, os desafios de gestão, dilemas pessoais e as oportunidades que podem surgir daqui para frente.
Assista e não deixe de me contar o que achou. Eu também recomendo que você siga a Fhinck e o CEO Paulo Castello, que está fazendo um trabalho incrível com Inteligência Artificial.
